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Uma revolução mineira do pãozinho de sal

Estado de Minas


Campeões de vendas nas padarias, o pãozinho de sal e o pão de queijo, nessa ordem, comandam uma transformação do setor em Minas. A indústria da panificação provocou inveja generalizada nas fábricas de variados segmentos em 2019, com suas taxas de crescimento estimadas entre 6% a 8%, enquanto a média de desempenho da indústria mineira em geral fechou o ano no vermelho, em 5,6%.

Sem medo da concorrência das lojas de vizinhança e dos atacarejos, as padarias buscam os recursos da inovação, adotam conceitos da chamada indústria 4.0 e se guiam pela mudança de hábitos do consumidor. Novos produtos estão sendo desenvolvidos nas lojas, sob o controle de métodos de gestão mais modernos, de metas de produtividade e custos bem acompanhados.

As miniporções são fruto dessa estratégia, quase que de reinvenção das empresas, assim como novas e sofisticadas linhas de sanduíches, omeletes produzidos na hora de servir, massas e, claro, investimentos para melhorar a qualidade e apresentação do carro-chefe do faturamento, os pães de sal e de queijo. Os panificadores têm trabalhado também nos espaços físicos das lojas, onde as refeições tomaram conta do negócio, sempre combinadas com os sabores dos pães.

Embora longe dos holofotes quando se fala no PIB de Minas, o que não deixa de ser uma injustiça com esse setor, tanto o estado quanto o Brasil dependem dos rumos dessa indústria, que está entre as seis maiores no país. A receita da panificação e confeitaria brasileiras somou R$ 95 bilhões em 2019, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip), tendo mostrado expansão de 2,65%.

Há outras duas características que merecem destaque. A panificação se estrutura com a grande capilaridade de micro e pequenas empresas e seu poder de gerar empregos. Em Minas, as estimativas da Amipão são de 7 mil padarias atuando com 126 mil empregados. Cada R$ 9 mil apurados no caixa representam a criação de um posto de trabalho nas contas da associação mineira.

“É um impulso relevante para a economia e que deve ser tratado como tal”, diz Vinícius Dantas, presidente da Amipão. Nesse processo de reinvenção do setor, tendem a se dar bem as empresas que entenderem como a tecnologia e a inovação podem ser úteis para qualificar a mão de obra e melhorar a qualidade da produção e dos serviços ofertados pelas padarias. Isso, além de preços nos níveis que o cliente aceitar pagar, o que nem sempre se observa no varejo, seja ou não de alimentos.

Uma das iniciativas recentes nesse sentido derruba a incômoda terceirização nas padarias e vem ampliando a demanda junto a fornecedores do setor. É como “pensar fora da caixa”, na avaliação de Vinícius Dantas, e “sem perder a digital do negócio”. A identidade da padaria pode estar na receita própria do pão de sal ou da rosca de nata, que passaram a identificar o ponto de vendas, o que não significa usar a produção de terceiros qualificados em outras prateleiras do negócio.

Mantida essa conexão com o consumidor, as empresas hoje lançam mão de fornecedores, por exemplo, de pão de queijo, segmento de produção que se desenvolveu e diversificou no estado, com dezenas de marcas da iguaria. O apelo da padaria no concorrido mercado da alimentação fora de casa é ser capaz de vender o frescor dos alimentos, associado a um estoque azeitado com o gosto da clientela.

No entanto, num 2020 em que não se fala de outra coisa a não ser a recuperação da economia, nada disso garante o passaporte para o sucesso se o setor não enfrentar alguns desafios nada fáceis: os custos altos da energia elétrica que move os fornos; os preços do trigo, em boa parte importado pelo Brasil; e a valorização do dólar. Será preciso muito fôlego, diante de um ministro da Economia que apregoa câmbio alto, deixa os investidores ainda mais alvoroçados e não se envergonha de culpar “empregadas domésticas que viajam à Disney”.

AMBIÇÃO 8% a 10%

É a meta de crescimento da indústria mineira da panificação neste ano estimada pela Amipão,

que considera um cenário de inflação baixa

PÃO E CARNAVAL

As padarias estão preparadas para fisgar os milhares de foliões esperados no carnaval de BH, que receberá, este ano, investimentos de R$ 14,3 bilhões dos patrocinadores, a cervejaria Skol e o aplicativo de delivery Ifood. As lojas instaladas nos principais circuitos dos desfiles dos blocos devem oferecer promoções agressivas de cerveja em lata e pratos leves, mesclando grelhados e saladas. Atuam na capital mineira 1.900 padarias, com média de 18 empregados cada uma.

AQUISIÇÕES

Relatório divulgado pela empresa de consultoria e auditoria PwC Brasil mostra que Minas Gerais foi responsável por 6% de todas as fusões e aquisições realizadas no Brasil no ano passado. Houve 39% mais operações em nível nacional, frente a 2018, totalizando 912 transações. A participação mineira nos negócios caiu 3 pontos percentuais em comparação com a média verificada em 2019.

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Minas Gerais registra crescimento de 6% no setor de padarias em 2019

O presidente do Sindicato e Associação Mineira da Indústria de Panificação (Amipão), Vinicius Dantas, explicou que a expansão do mercado de padarias, que agora comercializam outros produtos e serviços, como almoços e jantares, colaboraram para o crescimento de 6% do setor em 2019.

Segundo Vinicius Dantas, a crise financeira enfrentada pelo Brasil nos últimos 10 anos interferiu no crescimento do setor no Brasil e isso também impactou no estado. O que fez com que os proprietários de padarias adotassem medidas novas para enfrentar as dificuldades.

O presidente comentou que ainda não é possível fazer uma previsão para o setor neste momento, porém reformas estruturais que estão acontecendo tanto no estado quanto no país, podem colaborar para que o setor se mantenha em alta.

Um ponto que se deve observar é a respeito dos problemas que rondam o setor, por exemplo a Argentina, principal fornecedora de trigo para o mercado brasileiro, está em crise. Isso pode fazer com que o produto tenha aumento em seu preço, desencadeando em um aumento também no produto final.

GIRO DE NOTÍCIAS / AM

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Padarias apostam no fornecimento de cardápio completo nas festas de fim de ano

As padarias da Região Metropolitana de Belo Horizonte vão aproveitar as festas de fim de ano para reforçar uma tendência sem volta: oferecer aos clientes uma ceia completa (pernil, arroz, salada etc) para consumo no lar. Está cada vez mais em desuso, segundo empresários do setor, ganhar dinheiro apenas com o pernil levado pelo consumidor para ser assado nas padarias nesta época do ano. 

Algumas empresas, que já ofereceram o serviço em 2018, esperam aumento de dois dígitos em 2019. O cardápio inclui entradas, pratos principais e sobremesas.

“Antigamente, assávamos o pernil entregue nas padarias pelo cliente. Agora, oferecemos a ceia completa conforme o gosto do consumidor. As pessoas buscam comodidade. O mercado de comidas prontas é o que mais cresce no setor. Afinal, o produto finalizado é mais barato e está aliado à praticidade”, disse o presidente da Associação Mineira da Indústria de Panificação (Amipão), Vinicius Dantas.

Os valores são variados, mas padaria que ficar de fora do novo filão perderá boa oportunidade de engordar o caixa. Ainda mais porque muitas já oferecem almoço. Portanto, como lembra o presidente da entidade, basta usar a estrutura disponível. 

O cardápio mais pedido é o pernil inteiro com osso, cujo preço é comercializado, em algumas empresas, a quase R$ 50

A Vianney, no bairro Funcionários, espera vender 30% a mais que o Natal do ano passado. A gerente de Marketing de lá, Lucilaine Silva, destaca que parte deste aumento se deve às vendas na web. “Agora tudo ficou mais acessível, pois fizemos um ano que aceitamos encomendas pelo e-commerce, ou seja, o cliente tem acesso os nossos produtos de qualquer lugar”.

Expectativa

Pelo visto, contudo, a tendência não irá se concentrar apenas nas vendas para o Natal e o Réveillon. Pratos típicos em outras datas, como receitas que levam bacalhau na Semana Santa, deverão ganhar mais força a partir de 2020. 

As sobremesas também são boas apostas das padarias. O presidente da Amipão destaca que o segmento da confeitaria é outra oportunidade para se diferenciar e aumentar os lucros. 

“A sobremesa é o que encerra a ceia em grande estilo. E a padaria já faz muito bem pudins, tortas e panetones. Por isso, os estabelecimentos precisam aproveitar o período e caprichar em embalagens diferenciadas para atrair o cliente”, propagandeou.

A Empório Boutique dos Pães, em Contagem, pretende adoçar as vendas com receitas de sobremesas levadas pelos clientes para enfeitar as mesas do lar. “São elementos criativos que atraem o cliente e são diferenciais”, disse Joaquim Ferreira, gerente do estabelecimento.

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FIEMG Competitiva e AMIPÃO realizam treinamentos

O programa FIEMG Competitiva, em parceria com o Sindicato das Indústrias de Panificação do Estado de Minas Gerais e pela Associação Mineira da Indústria de Panificação, que juntos formam a AMIPÃO, promoveu, em novembro, o treinamento de Promotor de Vendas para a Panificação.

O curso foi realizado na sede da FIEMG e teve a participação de 15 empregados de padarias associadas à AMIPÃO. Ministrado por Felipe Alvim, que tem mais de 15 anos de experiência como consultor nas áreas de Vendas, Atendimento ao Cliente e Motivação, teve o intuído de capacitar funcionários da área de vendas das padarias. “As expectativas são que eles aprendam técnicas e desenvolvam habilidades em promoção de vendas, e assim, possam ajudar suas empresas a alavancar ainda mais o seu negócio nesse final de ano”, afirma Daniela Aguiar Soares, gerente de Recursos Humanos da AMIPÃO.

No programa do treinamento Promotor de Vendas para a Panificação foram abordados temas como Novas Estratégias de Vendas, Erros mais comuns no atendimento e Ferramentas digitais para gerar mais negócios, dentre outros.

Já no mês de setembro foi realizada a Consultoria em visual merchandising para padarias. A consultoria foi dividida em quatro workshops, realizadas na AMIPÃO, e visitas individuais às empresas. “Essa consultoria teve como principal objetivo adequar e alinhar os processos, produtos e serviços das padarias, melhorando o faturamento e a competitividade dessas padarias por meio do visual merchandising. No entanto, o principal ganho nesses três meses de trabalho foi a troca de experiência entre os empresários.

Durante a consultoria eles tiverem a oportunidade de realizar um intercâmbio entre as padarias participantes e observar os principais pontos discutidos durante os workshops”, esclarece Ana Carolina , analista de projetos do FIEMG Competitiva. Os workshops coletivos tiveram como temas a “A importância do visual da loja”; “Ampliando o conceito de exposição dos produtos”; “Técnicas de exposição de produtos” e “O processo de montagem dos espaços”. Também foram realizados diagnósticos iniciais em cada uma das padarias, para que a consultoria tivesse um direcionamento mais assertivo, de acordo com as reais necessidades da loja.

“A AMIPÃO teve muito êxito com a retenção desses associados. Por meio de um depoimento no último encontro, uma das empresas relatou que passou a conhecer o sindicato e a valorizar mais a entidade à partir da consultoria. O trabalho foi um sucesso!”, ressalta Daniela Soares, gerente de RH da entidade. Entre os empreendimentos participantes estava Jacqueline Ribeiro de Castro, proprietária da padaria Jacqueline, que aprovou a iniciativa. “Agradeço a oportunidade de ter participado desse projeto. Foi muito enriquecedor, aprendi muito, foi estimulante conhecer outros empresários e trocar conhecimentos”, afirmou Castro.

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Panificadores mineiros integram público da Fipan 2019

O Sindicato e Associação Mineira da Indústria de Panificação (Amipão) mobilizou uma comitiva mineira para participar da Feira Internacional de Panificação, Confeitaria e Varejo Independente de Alimentos (Fipan 2019), o maior evento do setor de foodservice da América Latina, que será realizada entre os dias 23 e 26 de julho, em São Paulo. Promovida pela Sampapão, entidade que reúne os sindicatos da categoria no estado de São Paulo, a Fipan vai receber cerca de 30 profissionais mineiros envolvidos no segmento da panificação e associados à Amipão. Antes do desembarque em São Paulo, a Comitiva vai realizar uma visita técnica na indústria de equipamentos Prática, em Pouso Alegre.

O objetivo da ação, segundo o presidente da Amipão, Vinícius Dantas, é incentivar os empresários a conhecerem novidades, tendências e novos conceitos de fabricação para aprimorar os processos em suas padarias. “O segmento da panificação vem se transformando ao longo dos anos e, hoje, exige que a padaria atenda o consumidor em diferentes necessidades, do café da manhã ao happy hour. Para ser competitivo, é preciso se atualizar e a Fipan é uma excelente oportunidade. A organização da comitiva é mais um serviço da Amipão para o panificador associado”, destaca Dantas.

A Fipan 2019 vai apresentar lançamentos exclusivos para os setores de panificação, confeitaria, restaurantes, pizzarias, buffets, dentre outros segmentos do varejo independente de alimentos, que vão desde novos produtos, alimentos e acabamentos até embalagens e maquinários, além de palestras e ambiente de negócios e networking. A Fipan vai ser realizada no Expo Center Norte (Rua José Bernardo Pinto, 333, Vila Guilherme, São Paulo).

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Vinícius Dantas assume a presidência do Sindicato das Indústrias de Panificação

A partir da segunda quinzena de junho, o Sindicato das Indústrias de Panificação (SIP) inicia uma nova gestão, quando o atual presidente da Associação Mineira da Indústria de Panificação (AMIP), Vinícius Dantas,
assume também a presidência do sindicato. É a primeira vez que uma mesma pessoa estará à frente das duas instituições em um momento em que o segmento panificador se direciona para uma reinvenção alinhada às novas demandas do setor. Para superar esses desafios, Dantas destaca a colaboração das diretorias, dos servidores e dos associados.


“Eu fico muito satisfeito por esse desafio, tenho ao meu lado ótimos profissionais que compraram comigo esse novo momento. Tivemos excelentes histórias de gestão presidencial, muitas passagens que marcaram bastante as entidades, como a do Tarcísio e a do Batista
que foram muito importantes em seus papéis, mas agora os tempos demandam mudanças”

, aponta o presidente.

Entre os maiores desafios, Dantas cita a atual rejeição ao glúten, a expansão dos supermercados no meio da panificação e as novas formas de consumir no país.

“Há uma mudança de paradigma na composição de consumo do brasileiro e a gente vai se posicionar para atender essa demanda. A panificação é muito grande e a nossa capilaridade é muito importante”

Vinicius Dantas

Dantas conversou com a nossa equipe sobre essa nova jornada em que está prestes a embarcar, quais desafios espera encontrar pelo caminho e como pretende superá-los. Confira!

Pela primeira vez sindicato e associação terão o mesmo presidente. O que isso significa para o setor da panificação mineira?
Pela primeira vez, de fato, nós estamos com um único presidente a partir do dia 15, quando me torno também presidente do Sindicato. Isso é muito importante para o setor porque os processos ficam mais rápidos, principalmente os decisórios. Uma nova gestão é sempre uma vida nova.
A nossa intenção é criar ferramentas e produtividade perante aos nossos empregados para que a gente tenha uma postura mais rápida para o segmento, ajudando-o a se reinventar.

O que você espera dessa nova gestão?
Para essa gestão eu tenho a expectativa de que seja mais participativa, com os diretores colaborando mais. Esse é o grande pedido que tem sido feito
em todas as reuniões, que a gente tenha mais participação da diretoria e que o sistema deixe de ser tão presidencialista, exatamente pelo isolamento do presidente, que termina tendo que decidir por tudo o que
ocorre no segmento.

Como lidar com as particularidades de cada uma das instituições em uma gestão integrada?
As particularidades de cada uma das instituições serão colocadas no papel quando o momento for adequado, quando o conceito e o conteúdo for político e realmente técnico. Nós temos pessoas capacitadas nas nossas dependências e que, com certeza, irão colaborar, com a nossa participação e direcionamento, para que todos mostrem seu profissionalismo em sua
área de atuação.

Quais os desafios você acredita que irá encontrar?
É um momento novo, no qual o consumo e seu próprio conceito atingem, de certa forma, o principal produto de venda nas padarias. Nós vamos ter que
nos reinventar. Isso é muito importante e é um desafio que mexe muito com a nossa ideologia.

Como fazer para superá-los?
Para superá-los haverá muito trabalho. Sabemos disso, mas nós vamos descobrir a origem de tudo aquilo que foi feito e que nos prejudicou, para que a gente mostre que há alguns equívocos de conceitos. Então, se for necessário, vamos, por exemplo, às faculdades de nutrição e de gastronomia defender que realmente a questão do glúten é um equívoco. O que se tem hoje de resistência ao glúten passa um pouco pela falta de consumo do produto, ou seja, é a abstinência que provoca as reações causadas pelo glúten.

“Para essa gestão eu tenho a expectativa de que seja mais participativa, com os diretores colaborando mais. Esse é o grande
pedido que tem sido feito em todas as reuniões, que a gente tenha mais participação da diretoria e que o sistema deixe de ser tão
presidencialista.”

Como você vê essa nova presidência?
Eu fico muito satisfeito por esse desafio, tenho ao meu lado ótimos profissionais que compraram comigo esse novo momento. Tivemos excelentes histórias de gestão presidencial, muitas passagens que marcaram bastante as entidades, como a do Tarcísio e a do Batista. Foram muito importantes em seus papéis. Os tempos demandam mudanças. Hoje temos os supermercados com uma linha muito glamourosa de produtos, mas a gente sabe que a panificação tem uma capacidade e uma capilaridade muito maior para se posicionar. Realmente, o momento é oportuno:
acreditamos que essa oportunidade vem juntamente com uma mudança de paradigma na composição de consumo do brasileiro e visamos nos posicionar para atender essa demanda. A panificação é muito grande e a nossa capilaridade é muito importante.

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Panificadora Pão Francês, um exemplo de empreendedorismo na Serra do Salitre (MG)

Nos últimos dez anos o Brasil passou de 14,6 milhões de empreendedores para 49,3 milhões, segundo dados da Pesquisa Global GEM. Um estudo realizado recentemente revelou que, de 2007 a 2017, o número de pessoas entre 18 e 64 anos que exerciam alguma atividade empreendedora no país mais que triplicou, elevando os indicadores da categoria. Dentre as opções para quem deseja abrir o próprio negócio, o Setor de Alimentação aparece no topo do ranking, tendo as padarias e confeitarias como alvo daqueles que pretendem investir com expectativas mais assertivas de retorno no médio a longo prazo.

O destaque na pesquisa, no entanto, é um ousado grupo de empreendedores que, dispostos a abrir mão de suas sólidas carreiras construídas em outros setores da Economia, aceitaram o desafio de ingressar no varejo alimentar. Espalhados hoje por todo o Brasil, esses empresários não se limitaram a polos ou regiões de maior volume populacional, ao contrário, transformam suas cidades, pequenas ou grandes, no público necessário para empreender e alcançar o próprio espaço. Um exemplo disso é a empresária Carmen de Fátima Carranza, proprietária da Pão Francês, hoje a atual referência em panificação da Serra do Salitre, em Minas Gerais.

Funcionária pública federal do Banco do Brasil, Carmen renunciou a estabilidade da carreira que exercia nos Estados de São Paulo e Brasília para voltar ao interior e abrir o próprio negócio em um ramo totalmente diferente. “Sempre gostei da panificação, por isso tomei a decisão de seguir esse caminho e, hoje, a Pão Francês comemora os seus 24 anos”, declara ela, que aponta as particularidades da cidade pequena como o grande desafio que precisou transpor para vencer o mercado.

Crescimento das cidades significa aumento de público… e também da concorrência

De início com um pequeno contingente populacional, Serra do Salitre cresceu e tornou-se conhecida pela atividade da mineração, presente no município. Apresentando um crescimento do número de habitantes e também das relações comerciais, a cidade cresceu em público, mas também na concorrência. “Assim como outras empresas, várias padarias foram abertas aqui no decorrer do tempo, porém, com muito trabalho e dedicação, a Pão Francês assumiu uma posição de destaque entre os municípios de Patos de Minas, Patrocínio e Araxá. Hoje, é possível dizer, com base nas análises e declarações dos clientes, que estamos no nível mais alto na panificação da minha região”, afirma Carmen, que testifica também os depoimentos extraídos de clientes atendidos de outros Estados, como São Paulo.

Ainda de acordo com ela, o esmero de seus produtos rendeu a indicação de sua própria cartela de clientes àquele público itinerário, formado por pessoas que utilizam a cidade como caminho para acesso as demais cidades de Minas e também de outros Estados. “Atualmente, é comum os viajantes receberem indicações para provar nossos produtos, e assim temos o público fixo e também atendemos quem vem de fora”, explica.

Disponibilidade de recursos, um dos gargalos da pequena cidade para a obtenção de matéria-prima

Controle de fornecedores, gestão de ingredientes para os itens do mix e planejamento de logística. Todos esses pontos passam hoje por um trabalho estratégico de Carmen, que devido à localização do município vive na administração da empresa contratempos referentes ao abastecimento dos recursos necessários para a produção.

Driblando esses contratempos por meio do planejamento, a empresa consegue manter um mix de produtos extraídos de um receituário que, ao todo, possui mais de 500 itens. “Selecionamos aqueles que melhor se encaixam naquele momento e prezamos pela variedade. Conto com as receitas que são próprias e criadas por uma tia que hoje estaria completando os seus 130 anos”, revela.

Agregar conhecimento e abrir-se para novas diretrizes: uma ferramenta para a gestão com alta efetividade

Através da Amipão e participação do Projeto Sebrae TEC, a Pão Francês tornou-se uma das empresas atendidas pela Metodologia Propan no país. Com atendimento realizado pelos consultores e implantados na gestão empresarial, foram aplicadas estratégias da Metodologia no negócio. “Recebemos consultoria em todas as áreas, e isso ajudou muito. Passamos a trabalhar com Mark’Up, e com isso foi possível saber sobre os ganhos, e antes não era possível acompanhar dessa forma os lucros. Lembro do início simples, empresa pequena e com apenas cinco funcionários. Mas hoje, com trabalho árduo e dedicação, aperfeiçoamos o que construímos e evoluímos muito. Tenho uma equipe com 28 funcionários, realizei várias reformas necessárias e tornei a loja no nosso cartão de visitas”, afirma.

Atualmente, Carmen trabalha com a parte estratégica do negócio e pratica em sua gestão o controle de qualidade dos produtos, por meio do qual mantém o equilíbrio e também as características essenciais. Indo desde a panificação tradicional à confeitaria e lanchonete, ela encontrou o padrão de qualidade necessário e também o apoio de quem já está há 25 anos no mercado em atuação no Setor. Considerada hoje um exemplo do empreendedorismo nas pequenas cidades do país, a Pão Francês soube utilizar o primor em seus produtos e serviços para tornar-se grande em representatividade na panificação.

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Crise segura repasse da alta do dólar para consumidor final

Depois de duas sessões de alta, beirando os R$ 4, o dólar comercial recuou e terminou essa quarta-feira (8) em R$ 3,93. Apesar da trégua, analistas de mercado afirmam que a instabilidade política ainda vai segurar o câmbio em patamares altos por um bom tempo. O impacto não vem só para quem investe ou pretende viajar para o exterior. Do pãozinho ao combustível, tudo que depende de cotação internacional já está mais caro para indústrias e lojistas. Os aumentos só não chegaram ao consumidor final ainda porque a crise econômica derrubou as vendas e está impedindo ou, pelo menos, adiando o repasse.

O presidente do Sindicato e Associação Mineira das Indústrias de Panificação (Amipão), Vinícius Dantas, lembra que, em janeiro deste ano, a saca de trigo estava custando cerca de R$ 62. Agora, custa R$ 72, alta de 16%. “Só nas duas últimas semanas, tivemos dois aumentos de 5%. Com a atual situação de desemprego e atraso de salários dos servidores estaduais em Minas Gerais, não conseguimos repassar. O quilo do pão continua custando, em média R$ 15,90, o mesmo valor do começo do ano”, explica. Segundo Dantas, o setor só consegue segurar os aumentos por, no máximo, mais três meses.

O dono do restaurante Empório do Clã, Alexandre Alvarenga, calcula que, desde janeiro, sua margem de lucro já caiu 10%. “Eu trabalho com muitos ingredientes importados, como bacalhau, peixes, chocolates. Só o azeite subiu cerca de 15%. Eu não posso subir os preços nem mudar o meu cardápio, pois o cliente vem em busca daqueles pratos específicos. Também não posso trocar fornecedores porque não quero arriscar perder a qualidade. O jeito é reduzir o lucro”, destaca.

O professor de economia da Faculdade Arnaldo Alexandre Miserani afirma que a alta do dólar é reflexo do quadro de instabilidade política do Brasil, que ainda não conseguiu colocar em prática as promessas feitas durante a campanha das eleições presidenciais, como gerar empregos. Ele cita que o Brasil tem hoje 13 milhões de desempregados e 27 milhões de pessoas que já desistiram de procurar emprego.

“Muitas pautas estão travadas no Congresso, como a reforma da Previdência. O ritmo lento impede que o crescimento seja veloz, pois repercute no cenário internacional como um país que não tem a devida estabilidade para ter credibilidade de investimentos estrangeiros”, avalia Miserani.

Turista deve tentar pagar tudo em reais

Para quem vai viajar, o peso do câmbio é ainda maior, pois o dólar turismo está já ultrapassou os R$ 4. Comprar com antecedência ajuda, mas nem sempre é possível. Então, a alternativa é lançar mão de estratégias para amenizar. A CVC, por exemplo, sugere que o turista inclua no pacote o máximo de serviços, como locação e veículos, ingressos e até o seguro, para conseguir diluir os custos, já que é possível parcelar a viagem em até 12 vezes, pagando em real.

Enquanto quem vai viajar para o exterior ou precisa importar insumos está preocupado, quem exporta não tem do que reclamar. A Forno de Minas, por exemplo, está com o saldo positivo. “Mesmo precisando importar insumos, temos mais benefícios do que prejuízos, pois exportamos para cerca de 20 países”, explica a diretora de marketing, Valéria Favaretto. A empresa mineira, famosa pelo pão de queijo, acaba de entrar no mercado do México, para onde está exportando waffles.

Taxa de juros

Selic. Apesar de reconhe- cer o ritmo lento da econo- mia em 2019, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nessa quarta-feira (8) manter a Selic (taxa básica de juros) em 6,50% ao ano.

Esperado. Essa foi a nona manutenção consecutiva.

Devagar. O BC destacou que o risco de uma inflação menor devido ao fraco desempenho econômico se elevou desde março.